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Arduino, ESP32 ou Raspberry Pi Pico na escola: qual placa escolher?

Arduino, ESP32 ou Raspberry Pi Pico na escola: tabelas de decisão por objetivo da aula, nível da turma, instalação nos computadores da escola e orçamento, além de um plano anual em camadas.

A resposta curta para Arduino, ESP32 ou Raspberry Pi Pico na escola: a maioria das escolas deve começar com o Arduino Uno. Se os objetivos da disciplina incluem a Internet das Coisas (IoT), ou seja, dispositivos que enviam dados por Wi-Fi ou são controlados pelo celular, acrescente o ESP32 como segundo passo; se a escola já ensina Python, faça do Raspberry Pi Pico a segunda placa. Em vez de tentar passar o ano inteiro com uma única placa, pense em camadas: no primeiro semestre, o Uno, que trabalha com 5 V, tolera erros e tem muito material disponível, constrói a base de eletrônica e programação; no segundo semestre, os mesmos projetos são repetidos e ampliados na segunda placa que combina com o seu objetivo.

Este não é um guia de compra pessoal; já explicamos qual placa uma pessoa deve comprar em qual Arduino comprar e Arduino ou ESP32, e você pode conhecer cada placa em o que é ESP32 e o que é Raspberry Pi Pico. Aqui olhamos a questão com os olhos da escola: 24 alunos, 8 grupos, computadores que exigem permissão de administrador, aulas de 40–45 minutos e um armário cheio de material que será usado por vários anos. Primeiro vem a tabela técnica de decisão, depois as recomendações por objetivo da aula e nível da turma, as diferenças de instalação e um exemplo de plano anual.

Placa de desenvolvimento Arduino Uno: porta USB, conector de alimentação e barras de pinos digitais e analógicos
O Arduino Uno é a escolha mais segura para a primeira camada na escola: funciona com 5 V, a maioria dos módulos de sensores se conecta diretamente e é a placa com mais material didático disponível.

Por que a decisão da escola é diferente de uma escolha pessoal?

Para quem compra uma placa para usar em casa, a pergunta principal é “o que eu consigo montar com esta placa?”. Na escola, a pergunta passa a ser “o que 24 alunos conseguem aprender com esta placa, ao mesmo tempo, na mesma aula, com o mínimo de problemas?”. Um aluno que não encontra a porta perde 5 minutos em casa; na sala, se três dos oito grupos não encontram a porta, a aula acabou. Por isso, na escola, megahertz e kilobytes ficam em segundo plano. As perguntas que importam são: quantos passos a instalação exige, um fio colocado no lugar errado danifica a placa, os sensores podem ser ligados diretamente e o professor encontra material de aula pronto?

E ainda há o tempo. As placas da escola costumam ser usadas por vários anos, não por um só, e todo ano uma nova turma abre o mesmo armário. Por isso a escolha não deve ser “qual placa é mais potente?”, e sim “qual sequência de placas leva o aluno ao próximo passo?”. A lógica de programação aprendida no Uno continua no ESP32 na mesma linguagem e no Pico com os mesmos conceitos; é daí que vem a força de um plano em camadas. Passar o ano inteiro com uma única placa é possível, mas aí ou as primeiras semanas ficam desnecessariamente difíceis, ou os alunos terminam o ano sem nunca ter visto um passo importante, como a conexão sem fio ou uma segunda linguagem.

Tabela de decisão: como Uno, ESP32 e Pico se comparam na escola?

A tabela abaixo compara as placas pelos critérios que realmente fazem diferença na escola. A coluna ESP32 se refere ao ESP32 DevKit de 30 pinos (com módulo ESP32-WROOM-32), o mais comum nas escolas; a coluna Pico abrange o Raspberry Pi Pico e sua versão sem fio, o Pico W. A coluna Uno é para o clássico Uno R3; as diferenças do Uno R4 estão no nosso artigo Arduino Uno R4.

CritérioArduino Uno (R3)ESP32 (DevKit)Raspberry Pi Pico
Tensão de operação (pinos)5 V; os pinos fornecem e aceitam sinais de 5 V3,3 V; os pinos não toleram 5 V3,3 V; os pinos não toleram 5 V
Linguagem de programaçãoArduino C++ (pode ser lido em blocos)Principalmente Arduino C++; MicroPython também rodaPrincipalmente MicroPython; também pode ser programado em Arduino C++
Facilidade de instalaçãoA mais fácil: instalar o Arduino IDE, escolher placa e porta, carregarMédia: pacote de placa ESP32 separado no IDE, botão BOOT ao carregar em algumas placasFácil: instalar o Thonny, gravar o MicroPython na placa uma vez
Wi-Fi / BluetoothNão tem (o Uno R4 WiFi tem)Wi-Fi (2,4 GHz), Bluetooth Classic e BLENão tem; o Pico W tem Wi-Fi e Bluetooth
Tolerância a errosAlta: ampla margem de 5 V, aciona tranquilamente um LED com seu resistor nos 20 mA recomendados por pinoMédia: um sinal de 5 V danifica o pino; circuitos nos pinos de inicialização (strapping), como GPIO0, 2, 12, 15, podem impedir o carregamentoMédia: um sinal de 5 V danifica o pino; no lado do software, sempre dá para recuperar com o BOOTSEL
Compatibilidade com sensoresA maioria dos módulos de 5 V se liga diretamente (HC-SR04, módulo relé, LCD de 5 V)Sensores de 3,3 V diretamente; módulos com saída de 5 V precisam de divisor de tensão ou conversor de nível lógicoIgual ao ESP32; apenas 3 entradas analógicas (GP26–GP28)
Leitura analógica6 pinos, 10 bits (0–1023)Muitos pinos, 12 bits; os pinos do ADC2 não podem ser lidos com o Wi-Fi ligado3 pinos, 12 bits (0–65535 com read_u16 no MicroPython)
Quantidade de material didáticoA maior: usado nas escolas há anos, muito material em vários idiomasGrande, principalmente para IoT e casa inteligenteEm crescimento; boa documentação de MicroPython, menos material de aula pronto
Instalação nos computadores da escolaArduino IDE; a placa original não precisa de driver, placas compatíveis com CH340 podem precisarArduino IDE + pacote de placa de várias centenas de MB + driver CP210x ou CH340, conforme o chip USBThonny; sem driver separado no Windows 10/11, macOS e Linux
Custo relativo da placaO Uno original é o mais caro dos três; placas Uno compatíveis são mais baratasGeralmente baixoGeralmente o mais baixo

Preste atenção especial a duas linhas: tensão de operação e tolerância a erros. Como os pinos do Uno trabalham com 5 V, a maioria dos módulos de sensores do mercado se liga diretamente a ele, e um fio que o aluno encaixa no furo errado geralmente só faz o circuito não funcionar. Os pinos do ESP32 e do Pico são de 3,3 V; se um sinal de 5 V chegar a esses pinos, o pino ou a placa podem ser danificados. Para um aluno, isso é um detalhe pequeno, mas numa turma de 8 grupos afeta diretamente o seu orçamento de placas reserva. A linha de custo também não deve decidir sozinha: o preço da placa é uma parte pequena do total quando se somam protoboards, fios, sensores e peças reserva.

Módulos de 5 V, como o sensor de distância HC-SR04, enviam um sinal de 5 V pelo pino ECHO. Não ligue esse sinal diretamente a um ESP32 ou Pico: monte um divisor de tensão com dois resistores (1 kΩ e 2 kΩ reduzem 5 V para cerca de 3,3 V) ou use uma versão do sensor que funcione com 3,3 V. Você pode fazer o cálculo com a ferramenta de divisor de tensão e entender a lógica em o que é divisor de tensão.

Qual placa para cada objetivo de aula?

Antes de escolher a placa, escreva em uma frase o que os alunos devem ser capazes de fazer no fim da disciplina. “Explicar, medindo, por que um LED precisa de resistor” e “ver dados de temperatura no celular” pedem placas diferentes. Todos os projetos iniciais da tabela abaixo são grátis no BlueGrays e abrem com esquema do circuito, lista de componentes e código.

Objetivo da aulaPrimeira placaPor quê?Projeto inicial grátis
Eletrônica básica (corrente, tensão, resistência, LED)Arduino UnoEm circuitos de 5 V os valores medidos batem facilmente com os cálculos, e os erros raramente danificam a placaLED piscante, Semáforo
Algoritmos e C++Arduino Uno, depois ESP32Mesma linguagem e mesmo IDE; setup(), loop(), if e for aprendidos no Uno passam para o ESP32 sem mudançasLigar e desligar um LED com botão
Programação com PythonRaspberry Pi PicoO conhecimento de Python do computador passa para a placa; uma linha digitada no Thonny mostra o resultado sem esperar compilaçãoRaspberry Pi Pico: controle de LED externo (GP14 + protoboard)
Internet das Coisas (IoT)ESP32 (alternativa: Pico W)Wi-Fi e Bluetooth vêm na placa; os projetos com ESP32 também são em Arduino C++, então o conhecimento do primeiro semestre não se perdeConexão Wi-Fi STA com ESP32 (com display LCD)
Robótica (motores, servos, distância)Arduino Uno; ESP32 para controle sem fioA maioria das placas driver de motor e dos módulos de 5 V foi projetada pensando no Uno; ESP32 se você quer um carrinho controlado pelo celularMedição de distância com HC-SR04 (Monitor Serial)
Experimentos de ciências e coleta de dadosArduino UnoUm sensor e o Monitor Serial bastam; módulos de 5 V como o DHT11 se ligam diretamenteTemperatura e umidade com DHT11

As duas linhas mais mal compreendidas são Python e IoT. Escolher o Pico para ensinar Python significa que o aluno aplica o laço for e o if que escreve no computador a um LED, com a mesma sintaxe; uma única linha digitada no Shell do Thonny acende na hora o LED da placa. Para IoT, a vantagem do ESP32 não é só ter Wi-Fi na placa, mas o fato de os projetos com ESP32 serem escritos em Arduino C++, como no Uno: os comandos pinMode(), digitalRead() e if aprendidos no primeiro semestre são usados sem mudanças no segundo, e o aluno só aprende a se conectar ao Wi-Fi e a servir uma página web. O Pico W também se conecta ao Wi-Fi; se a sua escola quer Python e IoT ao mesmo tempo, o Pico W atende às duas necessidades em uma só placa.

Se o objetivo é robótica, planeje a parte dos motores separadamente: comparamos para que servem o motor CC, o servo e o motor de passo em diferença entre motor CC, servo e passo. Seja qual for a placa escolhida, os motores são alimentados por um driver separado e uma fonte de alimentação separada, não pela placa; a placa só envia comandos. Por isso, numa disciplina de robótica, quem decide a placa é a linguagem de programação e a necessidade de controle sem fio, não os motores.

Recomendações por nível da turma

A idade sozinha não decide; de duas turmas da mesma idade, uma pode já ter feito programação em blocos e a outra nunca ter tido aula de computação. Ainda assim, a duração da aula, o hábito dos alunos com teclado e arquivos e a grade horária da escola mudam bastante conforme o nível. A tabela abaixo resume essas diferenças; a coluna “próximo passo” mostra o passo a dar quando os alunos estiverem prontos, não necessariamente no mesmo ano.

NívelPlaca inicialPróximo passoPonto de atenção
Ensino fundamental II (cerca de 11–14 anos)Arduino UnoNão é preciso trocar de placa no mesmo ano; controle pelo celular com ESP32 num clube ou eletivaO programa é lido em blocos e o código real é carregado pronto; a instalação não deve consumir 10 minutos da aula
Ensino médio (regular)Arduino Uno (1º semestre)Pico se houver disciplina de Python, senão ESP32 (2º semestre)Apresente a troca não como um assunto novo, mas como um projeto conhecido repetido numa placa nova
Ensino técnico (eletrotécnica/eletrônica, informática)Arduino Uno e um multímetroIoT com ESP32; conversão de nível e cálculos de alimentação também viram conteúdoEnsine a diferença entre 3,3 V e 5 V fazendo os alunos medirem, não explicando
Curso para adultosUma placa escolhida pelo objetivo do cursoDireto para o ESP32 em grupos que querem automação residencial, Pico em grupos que sabem PythonEm cursos curtos, não gaste tempo instalando duas placas

Começar com blocos no ensino fundamental facilita a leitura dos programas, mas não muda a escolha da placa: a maioria dos projetos com blocos no BlueGrays é de Arduino, e os blocos servem para ler o programa; na placa é sempre carregado o código real do projeto. Se quiser ver lado a lado os equivalentes em C++ e MicroPython dos blocos, confira a tabela de transição dos blocos para C++. No ensino médio e técnico, conhecer duas placas já é uma conquista: um aluno que fez o mesmo sensor funcionar numa placa de 5 V e numa de 3,3 V não vai mais ignorar os níveis de tensão. Em cursos para adultos, a maioria dos participantes chega com um objetivo específico; perguntar na primeira aula “o que você quer montar?” e escolher a placa de acordo funciona melhor do que levar todos pelo mesmo caminho.

Instalação nos computadores da escola: drivers, pacote de placa, Thonny e permissão de administrador

O custo escondido da escolha da placa na escola é a instalação. Uma instalação feita uma vez em casa se repete na escola em 8 computadores de alunos e um do professor, e na maioria das escolas só o responsável pela TI pode instalar programas. A carga de instalação das três placas é bem diferente:

PassoArduino UnoESP32Raspberry Pi Pico
SoftwareArduino IDE 2Arduino IDE 2Thonny (vem com seu próprio Python)
Pacote extraNenhum, o suporte ao Uno já vem prontoesp32 by Espressif Systems pelo Gerenciador de Placas, várias centenas de MBUm arquivo UF2 do MicroPython gravado na placa uma vez
Driver USBNenhum na placa original; placas compatíveis com CH340 podem precisarCP210x, CH340 ou CH9102, conforme o chip da placaNão precisa
Permissão de administradorGeralmente necessária para instalar o IDE e o driverNecessária para o IDE e o driver; o pacote de placa vai para a pasta do usuárioCarga menor, já que não há driver; o Thonny muitas vezes pode ser instalado na conta do usuário
Problema comum no primeiro carregamentoPorta errada, cabo só de cargaPorta não aparece, “Failed to connect” (botão BOOT), compilação demoradaInterpretador não selecionado no Thonny, placa sem MicroPython

Um detalhe do pacote de placa do ESP32 costuma dar problema na escola: o pacote não é instalado para o computador inteiro, e sim na pasta do usuário que está logado. Se os alunos entram com uma conta compartilhada, não há problema; se cada um usa a própria conta, o pacote é baixado de novo para cada uma. Em computadores que voltam ao estado original a cada reinicialização, a instalação some no dia seguinte; nesse caso, peça ao responsável pela TI para incluir o pacote na imagem protegida. O Pico não tem esse problema, porque o MicroPython fica na própria placa: você prepara a placa uma vez e, o ano todo, o Thonny a reconhece em qualquer computador em que for conectada.

Não instale com uma conta de administrador e teste também com a conta de administrador. Pelo menos uma semana antes do início das aulas, entre com uma conta de aluno, conecte uma placa e veja com seus próprios olhos que a porta aparece e que o código de exemplo é carregado. Uma instalação que funciona perfeitamente para o administrador, mas não mostra porta ou não encontra o pacote de placa para os alunos, é um jeito clássico de perder a primeira aula.

Quando for falar com o responsável pela TI, leve uma lista clara; em vez de dizer “instala o Arduino, por favor”, entregue os itens abaixo. Você pode enviar a lista com os itens do Uno antes do primeiro semestre e com os itens do ESP32 ou do Pico antes do segundo:

  1. A versão desktop do Arduino IDE 2 em 8 computadores de alunos e 1 do professor.
  2. O driver CH340, CP210x ou CH9102, conforme o chip USB das placas Uno ou ESP32 compatíveis; leia o chip na placa quando o pedido chegar.
  3. Se o ESP32 for usado: o pacote esp32 by Espressif Systems pelo Gerenciador de Placas e as bibliotecas usadas em aula; eles também precisam aparecer nas contas dos alunos.
  4. Se o Pico for usado: o Thonny. Se uma política bloquear armazenamento USB, a unidade RPI-RP2 que o Pico mostra no modo BOOTSEL também não vai aparecer; grave o MicroPython nas placas uma vez no seu próprio computador no início do semestre.
  5. As contas dos alunos não podem ter o acesso às portas seriais USB bloqueado.
  6. Após a instalação, um teste de 10 minutos com uma conta de aluno: conectar uma placa, selecionar a porta, carregar o código de exemplo.

Plano em camadas: um exemplo de um ano

Digamos que você tenha 2 aulas por semana, uma turma de 24 e alunos trabalhando em 8 grupos de três. Suponha que dê para usar cerca de 14 semanas de cada semestre para atividades práticas. No primeiro semestre, todos constroem a mesma base no Uno; no segundo, conforme o objetivo da escola, você escolhe o caminho A (ESP32, IoT) ou o caminho B (Pico, Python). Os dois caminhos começam de propósito com um projeto conhecido: os alunos refazem o primeiro projeto do semestre 1 na placa nova e veem a diferença por conta própria. Todos os projetos da tabela são grátis.

Semestre e semanaPlacaTemaProjeto grátis
Semestre 1, semanas 1–3UnoO que é um programa, saída digital, temporizaçãoLED piscante, Semáforo
Semestre 1, semanas 4–6UnoEntrada, condições, guardar estadoLigar e desligar um LED com botão
Semestre 1, semanas 7–9UnoSensor analógico, valor de limiteLuz noturna com LDR
Semestre 1, semanas 10–14UnoMedição de distância e do ambiente, Monitor Serial, miniprojetoMedição de distância com HC-SR04 (Monitor Serial), Temperatura e umidade com DHT11
Semestre 2, caminho A, semanas 1–3ESP32O mesmo LED e botão no ESP32, a diferença dos 3,3 V, pacote de placaLED piscando com ESP32
Semestre 2, caminho A, semanas 4–8ESP32Sensor e LCD, conexão ao Wi-FiESP32 DHT22: temperatura e umidade (com display LCD), Conexão Wi-Fi STA com ESP32 (com display LCD)
Semestre 2, caminho A, semanas 9–14ESP32Uma página web acessível pelo celular, projeto final de IoTServidor web assíncrono com ESP32 (com IP no display LCD)
Semestre 2, caminho B, semanas 1–4PicoSintaxe do Python, LED, semáforoRaspberry Pi Pico: controle de LED externo (GP14 + protoboard), Raspberry Pi Pico: semáforo (3 LEDs em sequência, GP11/GP12/GP13)
Semestre 2, caminho B, semanas 5–14PicoDistância, som, conjuntos de botões, projeto finalSensor de estacionamento com Raspberry Pi Pico (HC-SR04 + 3 LEDs + buzzer), Piano de botões com Raspberry Pi Pico (5 botões + buzzer + gravador de melodias)

Na primeira semana do segundo semestre, não ensine um assunto novo; peça que os alunos montem o projeto de LED conhecido na placa nova e pergunte apenas “o que mudou?”. Os números dos pinos, os 3,3 V, a escolha do pacote de placa no ESP32 ou o código em Python no Pico são as respostas, e os alunos não esquecem as diferenças que descobriram sozinhos. Preparamos a primeira aula do caminho A minuto a minuto no plano da primeira aula com ESP32 e o restante semana a semana no módulo de IoT com ESP32 de 8 semanas; para o caminho B, o plano de 6 semanas de Pico com MicroPython pode ser usado como está.

Um plano em camadas também divide o orçamento. No primeiro ano, você investe só em kits de Uno; como a segunda placa funciona com os LEDs, resistores, botões, LDRs e sensores desses kits, ela significa basicamente apenas placas, cabos e algumas peças extras. Em como montar um laboratório de Arduino na escola, sugerimos algumas placas ESP32 e Pico para demonstrações; se a turma inteira for passar para a segunda placa, conte as placas pelo número de grupos, não pelo conjunto de demonstração. A lista da segunda camada para 8 grupos e 1 reserva:

  • Caminho A: 1 ESP32 DevKit por grupo, 9 para a turma; 9 cabos de dados compatíveis com a porta USB da placa. A maioria dos ESP32 DevKit ocupa quase uma protoboard inteira; juntar duas protoboards lado a lado e encaixar a placa no meio facilita as ligações.
  • Caminho B: 1 Raspberry Pi Pico H ou Pico WH (com barras de pinos soldadas) por grupo, 9 para a turma; 9 cabos de dados micro USB. Se comprar Pico sem barras de pinos, você precisa reservar tempo de solda para 9 placas.
  • Para os dois caminhos: se for usado um HC-SR04 de 5 V, um resistor de 1 kΩ e um de 2 kΩ por grupo, 9 de cada para a turma; ou uma versão do sensor que funcione com 3,3 V.
  • Para as semanas sem fio: um hotspot do celular transmitindo em 2,4 GHz ou um roteador separado, em vez da rede da escola (caminho A, e caminho B com o Pico W).
Placa Raspberry Pi Pico WH: barras de pinos soldadas, porta micro USB e botão BOOTSEL
O Pico WH vem com as barras de pinos soldadas e encaixa direto na protoboard; o W significa Wi-Fi e Bluetooth. O botão BOOTSEL ao lado da porta USB é usado para gravar o MicroPython.

5 erros comuns das escolas ao escolher uma placa

  • Comprar uma placa de IoT sem objetivo de IoT: como o ESP32 é potente, é tentador comprar ESP32 para todos já no primeiro ano. Mas, se o Wi-Fi não for usado, os alunos convivem com a limitação dos 3,3 V e com passos extras de instalação sem ganhar nada em troca.
  • Misturar placas na mesma aula: se quatro grupos trabalham com o Uno e quatro com o Pico, você está dando duas aulas ao mesmo tempo. Troque de placa no fim de um semestre ou de uma unidade; numa turma com níveis variados, diferencie pela dificuldade da tarefa, não pela placa.
  • Confundir o Pico com o Pico W: só a versão W tem Wi-Fi. Se você planeja uma unidade sem fio, confira o W ao fazer o pedido; para uma introdução ao Python, o Pico simples basta.
  • Ir para a aula com cabos só de carga: cabos USB só de carga alimentam a placa, mas não mostram porta, e os alunos passam muito tempo procurando um problema de driver. Teste os cabos um a um com uma placa no início do semestre e marque os cabos de dados.
  • Achar que placas compatíveis são idênticas às originais: placas Uno e ESP32 compatíveis fazem sentido para o orçamento da escola, mas seus chips USB podem ser diferentes e exigir driver. Antes de um pedido grande, teste uma placa de amostra num computador da escola com uma conta de aluno.

Como as três placas aparecem no BlueGrays

O BlueGrays agrupa os projetos em três plataformas, e a divisão combina com um plano em camadas: há mais de 110 projetos para Arduino, cerca de 50 para ESP32 e mais de 30 para Raspberry Pi Pico. Destes, 60 são totalmente grátis: 20 de Arduino, 20 de ESP32 e 20 de Pico. Os projetos grátis incluem esquema do circuito, lista de componentes, código e a seção Entenda o código; todos os projetos da tabela do plano acima foram escolhidos entre eles. O código dos projetos de Arduino e ESP32 é Arduino C++, o dos projetos de Pico é MicroPython. Em Descobrir › Projetos, use Filtrar para escolher a plataforma e Preço para listar os projetos grátis que combinam com a placa da sua disciplina.

  • Busca de projetos: a segunda pergunta é “Qual placa você tem?”, com as opções Arduino Uno / Nano, ESP32, Raspberry Pi Pico e “Ainda não tenho placa”. Os alunos recebem sugestões escolhendo a placa que têm, e a sugestão Prepare-se primeiro · grátis na tela de resultados mostra um projeto grátis para começar com as mesmas peças. Mais detalhes no artigo sobre a Busca de projetos.
  • Guia de código: o Guia de código na seção Aprender tem duas trilhas, Arduino C++ e MicroPython, com 18 cartões cada. O exemplo de cada cartão vem com as abas Blocos, Arduino e MicroPython, então um aluno do caminho B vê lado a lado as versões em C++ e em Python do mesmo comando. A lista de cartões está no artigo sobre o guia de código.
  • Perguntas do dia: a configuração Linguagem do código nas perguntas pode ser Ambas, Arduino ou MicroPython; uma turma do caminho B pode passar para perguntas de MicroPython no segundo semestre.
  • Vamos montar juntos: o passo 3. Carregue o código do modo guiado muda conforme a placa: nos projetos de Arduino e ESP32, você escolhe a placa e a porta no menu Ferramentas do Arduino IDE; nos projetos de Pico, escolhe o interpretador MicroPython no Thonny. Fazer esse passo juntos no projetor na primeira aula reduz as dúvidas de instalação.
  • Premium e pacotes para educadores: o Premium fica vinculado à conta e desbloqueia os projetos das três plataformas juntos; os alunos não precisam comprar mais nada para passar ao ESP32 ou ao Pico no segundo semestre. Para uma turma inteira, explicamos como funcionam os pacotes de 5 e 10 códigos, sem renovação automática, em Perfil > Pacotes para educadores no artigo códigos Premium em lote para a sua turma.

6 perguntas para responder antes de decidir: leve-as à reunião da sua área

  1. O que os alunos devem ser capazes de fazer no fim da disciplina: explicar um circuito, escrever código, enviar dados para uma rede?
  2. A escola ensina Python ou C++? Se sim, em quais séries?
  3. Quantos grupos vão trabalhar e quantas placas reserva você vai manter?
  4. Quem tem permissão para instalar programas nos computadores e quanto tempo a instalação vai levar?
  5. Seus sensores são de 5 V ou de 3,3 V, e servem na segunda placa?
  6. A rede da escola permite a conexão de dispositivos ou você vai precisar de um hotspot?

Se as respostas às duas primeiras perguntas estiverem claras, a placa se define sozinha: o Uno para eletrônica básica e algoritmos, o ESP32 para conectividade, o Pico para Python. Antes de decidir, abrir os projetos grátis deste plano no app BlueGrays, com esquemas do circuito e código, e revisá-los numa noite é o caminho mais rápido para ver qual trilha combina com a sua turma.

Perguntas frequentes

A escola deve ensinar Arduino ou Raspberry Pi Pico?

Para eletrônica básica e lógica de programação, o Arduino Uno é o começo mais seguro: funciona com 5 V, a maioria dos sensores se liga diretamente e há muito material didático. Se a sua escola ensina Python, o Pico se encaixa bem como segunda placa. Colocar as duas placas em sequência, semestre a semestre, costuma funcionar melhor do que escolher só uma.

O ESP32 é difícil para iniciantes?

A parte da programação não é difícil; o ESP32 também é programado pelo Arduino IDE no mesmo C++. A dificuldade está na instalação (um pacote de placa extra, um driver USB, às vezes o botão BOOT) e no limite de 3,3 V. Por isso, na escola, é mais fácil introduzir o ESP32 depois que os alunos aprenderam a montar circuitos básicos no Uno.

O Raspberry Pi Pico é a mesma coisa que um Raspberry Pi?

Não. O Raspberry Pi é um pequeno computador que roda um sistema operacional; o Pico é uma placa microcontroladora que roda um único programa, como um Arduino. Não se liga tela nem teclado ao Pico; ele é conectado a um computador por USB e programado em MicroPython pelo Thonny.

É preciso permissão de administrador para instalar o Arduino IDE nos computadores da escola?

Na maioria das escolas, instalar programas e drivers USB exige permissão de administrador, então planeje isso com o responsável pela TI. Além disso, o pacote de placa do ESP32 vai para a pasta do usuário logado, por isso testar com uma conta de aluno é essencial. O lado do Pico é mais leve, porque não precisa de driver separado.

A escola deve comprar o Pico ou o Pico W?

Se você só vai ensinar Python e eletrônica básica, o Pico basta. Se planeja uma unidade com Wi-Fi ou Bluetooth, compre o Pico W; nas aulas, os dois são programados da mesma forma. Prefira as versões Pico H ou Pico WH, com barras de pinos soldadas, para encaixar direto na protoboard.

Quantas placas uma turma precisa?

Uma turma de 24 em grupos de três forma 8 grupos; 9 placas, incluindo uma reserva, bastam. Se preferir duplas, conte 12 grupos e 1–2 reservas. A mesma conta vale ao passar para a segunda placa; algumas placas compradas para demonstrações no laboratório não bastam para a turma inteira fazer a troca.

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O próximo passo após o LED integrado do Pico: conectar um LED externo à protoboard e controlá-lo pelo pino GP14. Neste projeto, você aprende a usar qualquer pino GPIO de uso geral do Pico como saída, a polaridade do LED (terminal longo = ânodo/+, terminal curto = cátodo/–) e por que um resistor limitador de corrente (220Ω) é necessário. Sem o resistor, uma corrente excessiva passa pelo LED e pode queimá-lo. O circuito é muito simples: Pico GP14 → resistor de 220Ω → LE

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